Pular para o conteúdo principal

João 3.16: Porque Deus Amou o Mundo



"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

João 3.16


INTERPRETANDO "MUNDO" EM JOÃO 3.16 


Um dos textos mais conhecidos, principalmente entre os cristãos. Fácil de ser memorizado e recitado. E também muito usado em evangelismo. É considerado "o resumo do Evangelho". Ao mesmo tempo, para quem estuda o texto mais afundo, ele possui uma dificuldade de interpretação. E a principal delas é a respeito da palavra "mundo". As interpretações mais comuns dessa palavra em João 3.16 são as seguintes: 


  • "Mundo" pode ser interpretado no sentido de cada pessoa sem exceção. Ou seja, todas as pessoas, no sentido de quantidade.
  • "Mundo" pode ser interpretado no sentido de todas as raças, línguas, classes, povos, tribos e nações sem distinção. Ou seja, qualquer pessoa, de qualquer lugar.
  • "Mundo" pode ser interpretado no sentido de toda a criação, o universo, o céu e a terra, os animais e o ser humano.
  • "Mundo", para os teólogos reformados, pode significar os eleitos de Deus, com base nas sequências de textos ao longo do Evangelho de João. 


Por que tantas interpretações? Isso se dá justamente por causa da dinâmica da linguagem hebraica e grega. Uma palavra pode ter múltiplos significados. Então, se tem muitos significados, como podemos descobrir ou chegar mais perto do significado da palavra "mundo" a qual Deus amou? Existem três fatores importantes aqui, que seria (1) procurar no dicionário bíblico o significado da palavra "mundo", (2) procurar entender o que essa palavra significava para os judeus e (3) descobrir qual o sentido em que o apóstolo João usa a palavra "mundo" em TODO o seu livro, observando o contexto imediato do livro e o contexto histórico. 


O USO DA PALAVRA "MUNDO" NO EVANGELHO SEGUNDO JOÃO


João frequentemente usa o termo da palavra "mundo" (kosmos) no sentido negativo, que está em oposição contra o seu Criador e que precisa de redenção


Primeiro, sobre a oposição do mundo contra o Senhor, João afirma: "O mundo não o conheceu" (1.10); "Disse Jesus: O mundo não pode odiar vocês, mas a mim ele odeia" (7.7); "O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece" (14.17). 


Segundo, sobre o fato de que o mundo precisa de redenção, João afirma nos seus relatos: "O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (1.29); "Para que o mundo fosse salvo por ele" (3.17); "Este é verdadeiramente o Salvador do mundo" (4.42); "Eu sou a luz do mundo" (8.12); "Eu creio que o Senhor é o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo" (11.27); "Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo" (16.8). 


Até aqui entendemos que o mundo está em oposição e precisa de salvação. Mas quem é esse mundo? A resposta é óbvia, toda a criação de Deus, em especial o ser humano, pois percebemos a relação do termo "mundo" com "homens" nos trechos de João. Por exemplo, veja o que o apóstolo relata: "A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz" (3.19). João faz uma ligação de "homens/mundo" e "homens/trevas". De todo modo, perceba que o foco de João 3.16 não está no "mundo", pois ele é apenas o alvo do magnífico amor de Deus – é neste aqui que está o foco. 


ANALISANDO JOÃO 3.16 


1. PORQUE DEUS AMOU

O atributo mais conhecido da Pessoa do Senhor, porém, não é o único, pois há vários outros e todos eles são infinitos. Nem todas as palavras do mundo definiriam o que é o amor, a definição está somente em uma Pessoa: "Deus é amor" (1João 4.16). É um amor incomparável e que nos constrange (1Coríntios 13.1-13; 2Coríntios 5.14). O amor é um ato da Sua livre escolha, é a Sua própria essência. 


  • É um amor sem medidas, é um "grande amor" (Efésios 2.4-5; 1João 3.1).
  • É um amor eterno, pois Ele nos amou na "eternidade" (Efésios 1.4-5; Jeremias 31.3).
  • É um amor sem motivos aparentes (Deuteronômio 7.7-8; Malaquias 1.2-3). 


"O tremendo deste texto [João 3.16] é que mostra Deus agindo, não para seu próprio benefício, e sim para o nosso [para que tenhamos a vida eterna]. Deus não agiu para satisfazer seu desejo de poder. Não agiu para criar um universo submisso. Ele o fez para satisfazer seu amor. [...] Deus não submete os homens pela força; suspira por eles e os conquista apaixonando-os." (Comentário de João, Barclay). 


2. DEUS AMOU O MUNDO

Esse foi o foco da missão de Jesus no mundo: o amor de Deus. Ele demonstrou Seu amor ao mundo através do seu Filho (Romanos 5.8). O amor de Deus por nós não depende daquilo que fazemos ou somos, o amor é uma verdade imutável do caráter do Senhor. 


"Podemos ser tentados a pensar que há muitas coisas no mundo para Deus amar. O mundo que conhecemos está repleto de texturas, desafios, oportunidades e alegrias. O problema é que tudo o que é bom, interessante e bonito no mundo está saturado de pecadores. Desde que Adão e Eva se rebelaram contra Deus no jardim, o mundo se tornou uma terra desolada. Não obstante quão maravilhoso o mundo pareça, ele não é digno do amor redentor de Deus. Entender como o mundo é indigno do amor de Deus é a chave para João 3.16. Só assim apreciaremos o presente inesperado que Deus dá." (John Tweeddale). 


É importante observar algumas coisas nessa afirmação (de que Deus amou o mundo). 


(1) Para os judeus, Deus amava Israel e rejeitava os gentios. Vemos isso transparente na relação de Israel com outras nações e culturas, em todas as áreas, principalmente religiosa. Um exemplo disso é o conflito entre judeus e samaritanos, pois eles não "se davam bem" (João 4.8). O apóstolo Pedro, a princípio, ficou confuso enquanto era guiado pelo Espírito Santo para ir à casa de Cornélio. "Vocês bem sabem que um judeu está proibido de se juntar a um gentio e entrar na casa dele. Mas Deus me mostrou que não devo considerar ninguém impuro ou imundo. Por isso, uma vez chamado, vim sem vacilar" (Atos 10.28-29).


Mas agora a verdade maior é revelada a respeito da redenção: Deus ama os judeus e gentios, o mundo. Jesus aproximou os dois povos, conduzindo-os a Deus (Efésios 2.18). 


A revelação de que "Deus amou o mundo" é para que toda presunção dos judeus fosse lançada por terra, por pensar que apenas eles eram povo de Deus – o plano do Eterno era muito maior. A revelação era também para ensinar que a Nova Aliança que Deus estava estabelecendo, através do sacrifício de Jesus, não era apenas para uma nação geográfica (Israel), mas para uma nação espiritual e global (a Igreja). "Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus" (1Pedro 2.9). "Os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos [...] cantavam um cântico novo dizendo: Digno és de pegar o livro e de quebrar os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação" (Apocalipse 5.8-9). 


(2) O amor de Deus ao mundo, no texto, não significa a "quantidade" (apesar de Deus amar toda a Sua criação), mas enfatiza sobre a "condição" dos seres humanos, que é de pecadores em trevas. Ou seja, Deus amou um mundo mau e ímpio a fim de redimi-los, por isso Ele enviou seu Filho. A resposta a respeito dessa questão está no versículo 19, que diz: "A condenação é esta: a luz [Jesus Cristo] veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más." Percebe? Que "mundo" foi esse a qual Jesus veio? Um mundo onde "os homens amam mais as trevas do que a luz". Explicitamente é sobre a condição do ser humano. Por isso "Deus amou o mundo" não por causa da quantidade, mas apesar da sua condição, pois já vimos anteriormente que o "mundo" a qual João se refere está sempre em oposição contra o Senhor e precisa de salvação. 


No Antigo Testamento, nós vemos que o fator crucial para que Deus escolhesse um povo pra Si não foi com base em quantidade, mas com base no Seu próprio amor. "O Senhor os amou e os escolheu, não porque vocês eram mais numerosos do que outros povos, pois vocês eram o menor de todos os povos. Mas porque o Senhor os amava" (Deuteronômio 7.7‭-‬8)


Como e por que Deus derramaria Seu amor sobre a humanidade caída e rebelde? Pois nas Escrituras lemos que "Deus não poupou anjos quando pecaram" (2Pedro 2.4), então, como Ele pouparia você? Mas, pelo Seu amor, hoje Ele "não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão" (Hebreu 2.16). É um amor desconcertante. Por que Ele sacrificaria seu Filho em nosso favor? Que amor é esse? Chegamos a expressar a mesma indagação do salmista quando disse: "Que é o homem, para que dele te lembres?" (Salmos 8.4). Amados, essas são coisas que até "os anjos desejam saber e contemplar" (1Pedro 1.12). O ser humano é o alvo da misericórdia, graça e amor de Deus. Na doutrina do amor de Deus todo orgulho humano é excluído


(3) Você não deve ficar maravilhado porque Deus amou O MUNDO, mas deve contemplar e ficar espantado com a afirmação de que DEUS AMOU o mundo. Cá entre nós, não somos seres amáveis. Deus nos amou sendo nós "AINDA" pecadores (Romanos 5.8). 


Não havia em nós nenhum motivo aparente para Ele nos amar, Ele nos amou apesar da nossa condição deplorável. Deus também não amou o mundo porque o mundo é imenso, Deus amou o mundo porque o Seu amor é imenso e infinito. A resposta está nEle mesmo e não em nós. Não é sobre a extensão do mundo, é sobre a intensidade do Seu amor. 


Vamos ilustrar isso melhor dando um exemplo prático.

Chegue para uma mãe ou um pai e pergunte a eles: "Vocês amam todos os seus filhos?" Qual a resposta mais óbvia que você vai ouvir deles? Obviamente, um "sim". Só que isso não quer dizer quase nada; não revela muita coisa sobre o amor deles. Agora chegue novamente para esses pais e pergunte: "Ok. Mas agora lhes pergunto: qual dos filhos de vocês lhe causaram ou lhe deram mais decepção durante esta vida?" Eles respondem: "O filho número 2" (pois qual o filho que nunca erra?). Então, conclua: "Vocês amam esse filho número 2 APESAR dos suas falhas e rebeldia?". É aqui que o texto de João 3.16 quer chegar. Pois aqui já revela muita coisa sobre o amor. Deus amar todos os seres humanos não quer dizer muita coisa, tendo em vista o texto, mas Deus amar todos apesar da nossa condição é algo muito revelador do caráter de Deus. Não merecemos, mas Ele nos ama. 


João 3.16 é sobre a magnitude do amor de Deus e não da grandeza do mundo. Observe o que João diz em sua carta: "Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus” (1João 3.1). Uma mensagem simples, mas cheia de profundidade, "vede que grande amor". 


(4) Outro ponto importante é sobre uma defesa consistente que pode ser feita para crermos que “mundo” se refere à qualidade do amor de Deus. Benjamin B. Warfield declara de forma convincente: 


"[Mundo] não é aqui tanto um termo de extensão; antes, é um termo de intensidade. Sua conotação primária é ética, e o objetivo de seu emprego não é sugerir que o mundo é tão grande que é preciso uma grande dose de amor para abarcá-lo completamente, mas que o mundo é tão ruim que é preciso um grande tipo de amor para poder amá-lo, e sobretudo para amá-lo como Deus o amou quando deu o seu Filho por ele.


(5) Essa salvação foi a dádiva mais abrangente que Deus já concedeu, abarcou o mundo todo (João 1.29; 3.16; 4.42). 


No Antigo Testamento, vemos que o sacrifício de um cordeiro fazia com que Deus perdoasse de um indivíduo a uma nação:

  • O indivíduo (Gênesis 22)
  • O casal (Gênesis 3)
  • A família (Êxodo 12)
  • A nação (Levítico 16) 


Mas só em Jesus, no Novo Testamento, Deus é capaz de conceder perdão ao mundo inteiro, pois Ele é "o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".

  • O mundo (João 1.29; cf. 1João 1.7-9)


(6) O amor de Deus não tem nenhum motivo aparente. É uma livre escolha do Senhor. Ele ama; Ele é o amor. 


É incrível como nós, seres humanos, tentamos julgar o amor de Deus com base naquilo que temos ou não temos, com aquilo que Deus faz ou não faz em nossas vidas. O amor de Deus não é limitado, não é medido, não é restrito, não é preso, não se resume às coisas deste mundo, pois "Deus nos predestinou em amor antes da fundação do mundo" (Efésios 1.4-5). C. H. Spurgeon disse:


"Eu creio na doutrina da eleição, porque estou bem certo que, se Deus não me tivesse escolhido, eu nunca O teria escolhido; e tenho certeza que Ele me escolheu antes de eu nascer, ou caso contrário Ele nunca teria me escolhido depois; e Ele deve ter me eleito por razões desconhecidas por mim, porque eu nunca pude encontrar qualquer razão em mim mesmo pela qual Ele devesse me olhar com especial amor.


Malaquias disse ao povo: “Eu vos tenho amado’, diz o Senhor. Mas vós dizeis: ‘Em que nos tens amado?’ ‘Não era Esaú irmão de Jacó?’ disse o Senhor; todavia, amei a Jacó, e odiei a Esaú” (Malaquias 1:2-3). Percebe o questionamento? "Em que nos tens amado?" Hoje, isso não soa tão diferente para o que nós fazemos também. Pois se temos emprego, amigos, saúde, lar feliz e bem-estar, decidimos que Deus está no abençoando e nos amando; se não temos nada disso, nos perguntamos: "O que está acontecendo comigo? Fulano está sendo abençoado e eu... será se Deus ainda me ama? Vim de um lar desetruturado, sofro com ansiedade e depressão.  Será se Deus ainda olha pra mim?"


Precisamos entender três coisas sobre o amor de Deus: 


(a) A nossa prosperidade, ter tudo o que queremos, não expressa realmente o que é o Seu amor. Pois muitas vezes, quando temos tudo o que queremos, é sinal de juízo de Deus. Porque geralmente nessa vida a nossa visão fica tão embaçada que a gente pensa que estar no topo da vida é sinônimo de estar no alto da montanha, quando na realidade estamos na beira de um abismo. Ter tudo o que queremos não é sinônimo do amor de Deus.

  • i) Observe Adão e Eva. Eles se apropriaram do fruto proibido e quiseram "ser igual a Deus" (isso foi algo que nem o próprio Cristo desejou; cf. Filipenses 2.6), e lhes sobrevieram condenação depois de desejar tudo o que queriam (Gênesis 3.1-24).
  • ii) Observe Paulo falando a respeito de pessoas que escolheram viver da forma como bem queriam, "por isso, Deus os entregou à impureza, pelos desejos do coração deles, para praticarem coisas que não convém". E é por esse motivo que "a ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e injustiça dos seres humanos". Porque eles querem ter tudo o que desejam, tudo o que satisfaz o coração (Romanos 1.18,24,28).
  • iii) Observe Paulo falando a respeito das pessoas que amam o dinheiro e buscam desesperadamente pelas riquezas. Elas querem ter muito; elas querem ter tudo. Mas tudo o que conseguem é se "afundar na ruína e na perdição", pois "nessa cobiça, se desviam da fé e atormentam a si mesmos com muitas dores" (1Timóteo 6.6-10; 17-19). O salmista orienta a não invejar a prosperidade dos ímpios, porque "mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios" (Salmos 37.16). Jesus disse para não ficarmos ansiosos com as coisas desta vida, pois "de que adianta uma pessoa ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Marcos 8.36). 


(b) A nossa condição deplorável, nossa vida em trevas, não é sinônimo e nem motivo para Deus nos amar ou sentir "pena" de nós. O motivo do amor de Deus não está no nosso pecado.

  • i) Observe Jacó e Esaú. Deus diz que "amou a Jacó e odiou a Esaú" (Malaquias 1.3). Ora, podemos pensar que Deus amou Jacó porque ele era boa pessoa. Mas a verdade é o que dois eram "farinha do mesmo saco" e Jacó não era lá "flor que se cheire". Esaú trocou a sua primogenitura por uma satisfação momentânea; Jacó enganou seu próprio pai. Os dois tinham caráter de pecador, mas Deus amou um e odiou outro. Onde então está o motivo desse amor? No próprio Deus; está na livre escolha do Senhor. Deus não se deixa enganar. Pode ser um idoso com uma doença terminal no leite de morte ou uma criança indefesa, pode ser o pior dos pecadores ou aquele que se acha mais santo, pode ser homem ou mulher, o amor de Deus não se manifesta através do "sentir pena", Ele não se emociona por causa do nosso estado de pecadores miseráveis. Se assim fosse, Ele olharia para os demônios, enxergaria o estado deplorável deles, então sentiria comoção e os salvaria. Mas não é isso o que acontece. Deus tem misericórdia e compaixão de quem Ele quiser (Romanos 9.15). Seu amor por nós é um ato livre da Sua própria escolha. 


(c) O amor de Deus não é movido por nenhum motivo humano; Ele simplesmente ama. Nada do que você faça vai atrair o amor de Deus, não importa quantas boas atitudes você tenha, nada vai fazer aumentar o amor de Deus por você, não é quem você é que motiva o amor de Deus. A resposta está nEle mesmo, está no próprio Deus, "porque Deus amou o mundo" (João 3.16). 


(7) O mundo a qual Deus amou e veio salvar (e vai salvar), são todas as pessoas ou um grupos de pessoas limitadas? 


João relata que "Deus amou o mundo [...] Deus enviou seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele" (João 3.16-17). Deus salvou ou salva todo mundo – todas as pessoas? Devemos entender que a doutrina da salvação universal é antibíblica, basta conferir 3.18-19. Então, já vimos anteriormente que Deus amou o mundo apesar da nossa condição, e agora podemos passar a crer que o "mundo" de João 3.16 também se refere a um grupo de pessoas espalhados pelo planeta, não predestinadas, mas que irão crer nEle. 


Vale lembrar que, no contexto do capítulo 3, Jesus estava conversando com Nicodemos. Ele era judeu e da alta cúpula religiosa de Israel, então ele cria que a salvação era somente dos judeus. Mas Jesus diz que o próprio Nicodemos, um judeu, precisava nascer de novo e João abrange o argumento dizendo que Deus amou o mundo, os gentios, a ponto de entregar seu Filho para salvá-los. Isto é, todo homem e mulher, em cada parte da terra, em cada canto do mundo, somente aquele que crer e se somente crer em Jesus, será salvo. 


O "mundo", todas as pessoas não serão salvas (é só olhar ao redor), mas o "mundo", todo o que nele crê já estão salvos. Pois esse foi o propósito de Deus ao enviar seu Filho ao mundo "para que o mundo – todo o que nele crê – fosse salvo por ele" e recebesse, de fato, a vida eterna. 


3. DE TAL MANEIRA

Um amor intenso que foi derramado sobre todos. Se depender de nós mesmos somos incapazes de amar a Deus (João 3.19; 5.42; 8.42), por isso a intensidade do Seu amor vai além dos nossos pecados, porque quando ainda éramos "fracos... ímpios, pecadores e inimigos" de Deus (Romanos 5.6-10), Ele nos amou de tal maneira. É algo tão profundo e intenso que nem o amor de uma mãe pelo seus filhos ou de um marido pela sua esposa é capaz de sequer ser comparado. 


4. DEU O SEU FILHO

É aqui que é declarada a grandeza do dom de Deus: seu Filho. O Pai deu o Seu melhor. Seu único Filho (João 3.16) a quem Ele tanto ama e se agrada (Mateus 3.18). "Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou, será que não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?" (Romanos 8.32). 


Uma coisa importante para entendermos essa doação de Deus, é que essa entrega só nos mostra o quanto não somos merecedores. Deus dar seu Filho ao mundo é demais para o nosso pensamento. Cristo, habitando na sua magnífica, excelsa e perfeita glória, deixou a eternidade para se revestir daquilo que é mortal. Ele deixou seu ambiente de adoração, na qual os anjos clamam dia e noite sem cessar dizendo "Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos!", para vir a este mundo onde tudo o que nós, como seres caídos, lhe demos foi injúria, rejeição e blasfêmia. Ele deixou seu trono para ser pendurado no madeiro. Ele deixou a sua luz inacessível e resplandecente para adentrar num mundo em trevas. Ele deixou a sua comunhão com o Pai e o Espírito na glória para ser rejeitados pelos homens na terra. Tudo isso para que a gente obtivesse a vida eterna e tivéssemos uma plena comunhão com o Pai. 


Amados, por que recusar tão grandiosa dádiva? Por que geralmente desejamos tão pouco quando Deus já nos deu tudo? 


  • Ele nos deu o seu Espírito (João 15.26; Romanos 8.15; 1Coríntios 2.12).
  • Ele nos deu todas as bênçãos espirituais (Efésios 1.3).
  • Ele nos deu vida eterna (João 3.16b).
  • Ele nos deu o seu Filho (João 3.16a). 


Contudo, as pessoas não querem Jesus, elas querem bem-estar, vida próspera, fama, mensagens que acariciam o ego e seus pecados, querem milagres e curas. O autor de Hebreus alertará dizendo o seguinte: "Quem tiver rejeitado a lei de Moisés morre sem misericórdia, pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Imaginem quanto mais severo deve ser o castigo daquele que pisou o Filho de Deus, profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado e insultou o Espírito da graça!" (Hebreus 10.28‭-‬29). E: "Como escaparemos nós, se não levarmos a sério tão grande salvação?" (Hebreus 2.3). 


Não rejeitemos o Filho. Aceitemos a Ele com espírito grato e coração humilde. Deus não tem mais nada grandioso para nos dar. Ele já deu o Seu melhor: Cristo Jesus. O melhor de Deus não é a nossa família, nem filhos, nem trabalho, nem o planeta, o melhor de Deus não é o céu. É CRISTO JESUS! Não viva achando que "o melhor de Deus está por vir". Não amado, não está, o melhor de Deus JÁ VEIO e foi entregue a nós (João 1.14). 


Qual o motivo de Deus ter doado seu Filho? Seu próprio amor. O que custou para Deus nessa entrega? A vida do seu próprio Filho amado. O que Deus quis oferecer através dessa doação? A vida eterna para todo aquele que nEle crê. 


5. FILHO UNIGÊNITO

Cristo é por natureza o que somos pela graça, filhos amados. Jesus, Deus-Homem. Mesma essência do Pai. Não dois, um só Deus. O Filho Unigênito veio para ser o "primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8.29). "Porque convinha que Deus, por causa de quem e por meio de quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles. Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. É por isso que Jesus não se envergonha de chamá-los de irmãos, dizendo: “A meus irmãos declararei o teu nome, no meio da congregação eu te louvarei.” (Hebreus 2.10‭-‬12; cf. João 20.17).


6. PARA QUE TODO AQUELE

Todos nós, por natureza, nascemos "merecedores da ira" de Deus (Efésios 2.3). Porque todos pecaram (Romanos 3.23). Esse estado é desesperador. E se acontece isso com todos, há esperança para todos, sem distinção, porque "o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus" (Romanos 6.23). Jesus foi entregue ao mundo por todos sem distinção (Efésios 2.13-19). 


Não pense que estou falando de universalismo, porque não estou. Lembra da primeira interpretação que explicamos mais acima? Os universalistas creem que todos, sem exceção, serão salvos e usam esse texto de João 3.16 para apoiar as suas ideias. Ora, se Deus ama o mundo e proporciona salvação para todos, então porque todos não estão sendo salvos? O amor de Deus não tem eficácia? O seu sacrifício não foi suficiente? E se Deus ama todo mundo, então como que a ira dEle ainda permanece sobre muitas pessoas, aquelas que não creem (3.19)? 


É aqui que percebemos que a salvação e o amor de Deus repousa sobre aqueles que creem no Filho, enquanto a condenação e a ira de Deus permanece sobre todos os incrédulos. A ira de Deus, por causa dos nossos pecados, já foi satisfeita em Jesus Cristo. "Todavia, ao Senhor agradou esmagá-lo, fazendo-o sofrer. Quando ele der a sua alma como oferta pelo pecado" (Isaías 53.10). "Cristo nos amou e se entregou por nós, como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus" (Efésios 5.2). 


As Escrituras nos dizem que Jesus é a propiciação pelos nossos pecados (cf. 1João 2.2; 4.10; Romanos 3.25; Hebreus 2.17). Propiciação significa dizer que toda a ira de Deus por causa do pecado foi satisfeita e derramada sobre Jesus na cruz. Se você já colocou sua fé em Jesus, Deus nunca mais ficará irado com você, pois o Cristo já carregou tudo, todos os nossos pecados. 


Portanto, nascemos debaixo do pecado e merecedores da ira, ela permanece sobre nós enquanto estamos incrédulos, mas ao ouvir o Evangelho e entender a obra amorosa de Cristo em nosso favor, passando a crer e confessar o Seu nome, a ira é removida e é derramado sobre nós todo o amor de Deus através de Cristo. Por isso Paulo diz que é "Jesus, que nos livra da ira vindoura" (1Tessalonicenses 1.10; 5.9). E também diz: "[Nada] Poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8.39). Essa promessa é para todo aquele que coloca a sua fé nEle. 


Eu sei que pode parecer difícil pra você entender e aceitar que, depois que você coloca sua fé em Jesus e passa a viver para Ele, Deus nunca mais vai ficar irado com você. Essa dificuldade se dá porque justamente nós analisamos a ira e o amor de Deus com base naquilo que fazemos. Se praticamos algo bom, deduzimos que Deus aumentou seu amor por nós; se praticamos algo errado, achamos que Deus ficou enfurecido nos céus. 


Meus amados, não há nada do que você faça que desperte ainda mais o amor de Deus. Ele já demonstrou o Seu infinito amor através do sacrifício de Jesus (João 3.16). Se você está em Cristo e colocou sua fé nEle, nenhum dos seus pecados serão fortes o suficiente para "enfurecer" Deus novamente, pois Cristo já satisfez a ira de Deus e descanse no que a Bíblia diz: "Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus", "Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica" (Romanos 8.1,33). 


7. QUE NELE CRÊ

Jesus continua sendo a única esperança do mundo (João 4.42). É em Jesus que tudo acontece. Pois "não há salvação em nenhum outro, porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos" (Atos 4.12). "Porque, se não crerem que EU SOU, vocês morrerão nos seus pecados" (João 8.24). Esse é o único meio pelo qual Deus concede a vida eterna, por meio do seu Filho enviado ao mundo. É Deus quem nos justifica por meio de nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos 5.1; 8.31). 


8. NÃO PEREÇA

O mundo já está no maligno e sob condenação (João 3.36). Fica claro no texto de João que nem todos serão salvos (João 3.18-21). Todos os que descansam no mundo acabarão morrendo. Por qual motivo? Porque não quiseram crer no nome do Filho Unigênito de Deus e por isso não nasceram de novo para entrar no Reino de Deus (João 3.3,5,18). Os que não creem vão perecer. Aquele que passa a sua vida rejeitando a Cristo já está condenado e o último dia, no Juízo Final, será apenas para deixar claro a sentença. No tribunal humano, quando um homem ou mulher é pego em um crime, na pior das hipóteses, essa pessoa é considerada apenas suspeita. E há todo um julgamento para decidir se a pessoa é ou não culpada. Do contrário, no Juízo Final no Trono Branco, não haverá "suspeitos", pois todos os que estiverem ali, já estão condenados, pois não creram em Jesus. 


Porém, "se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos na semelhança da sua ressurreição, sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele [...] Pois quem morreu está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele" (Romanos 6.5-8). Ao homem foi lhe dado uma alternativa chocante, que é a esperança de passar da morte para vida eterna através do sacrifício de Jesus Cristo


9. MAS TENHA A VIDA ETERNA

A vida eterna está ligada em crer e receber aquilo que o Filho fez. Essa dádiva depende do sacrifício do Cordeiro de Deus. A obra da nossa salvação depende apenas de um homem, Jesus Cristo. 


  • A vida eterna tem como origem e fundamento o amor de Deus. "Porque Deus amou o mundo". 


  • A vida eterna é o benefício da entrega do Filho de Deus ao mundo de forma amorosa. "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito". 


  • A vida eterna é para todo aquele que nEle crê. "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se mantém rebelde contra o filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus" (João 3.36). 


  • A vida eterna é o conhecimento do amor de Deus Pai e da obra do Filho Jesus. Porque "a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17.3). 


  • A vida eterna é muito mais do que a quantidade de tempo, é sobre a qualidade de vida e comunhão plena com o Criador. Pois de um lado da eternidade haverá o Lago de Fogo, que é a segunda morte e o tormento para todo o sempre sem a comunhão de Deus. Do outro lado haverá a Cidade Santa, da qual Deus é o arquiteto, onde iremos, como povo de Deus, adorar e ter comunhão de vida plena e abundante com o nosso Senhor e Pai.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Que Fazer Enquanto o Casamento Não Chega?

"Digno de honra entre todos seja o matrimônio." Hebreus 13.14 Esse breve texto com breves orientações é para os casais de namorados e noivos. E todos os solteiros que almejam um dia se casar. 1) Busque compreender quais são os mandamentos e princípios de Deus para o casamento . Mergulhe na Palavra de Deus. Já existem princípios e valores estabelecidos para o casamento, você tem de buscar e entendê-los para poder aplicá-los quando estiver vivendo a dois. Pois o casamento não é uma construção social, é um plano e chamado de Deus para o homem e a mulher (Gênesis 2.24), e existem várias bênçãos que seguem àqueles que obedecem aos mandamentos. O casamento é instituição divina e o casal serão os administradores e mordomos dessa dádiva de Deus. A união do casal deve está pautada, firmada e estabelecida no próprio Senhor. O manual a ser seguido para que o casamento dê certo é a Sagrada Escritura e não as orientações da cultura. 2) Não romantize o casamento . A consequência de fazer...

Noivado, Uma Questão de Decisão e Reconhecimento

O Desposado Judaico O desposado (noivado) começou com uma cerimônia entre as duas famílias quando o valor do pagamento, chamado "dote", foi combinado e pago pelo homem aos pais da moça. Também nesta ocasião os noivos trocavam presentes. Em certos casos um contrato de trabalho manual foi aceito pelos pais em lugar deste pagamento, como no caso de Jacó e Raquel (Gênesis 29.18-20). O tempo do desposado durava mais ou menos um ano e durante este tempo o rapaz era dispensado do serviço militar (Deuteronômio 20.7) e o casal podia arrumar sua morada futura, e geralmente a noiva fazia a sua veste nupcial. Embora chamados de "marido" e "mulher" desde o começo do desposado, eles não viviam juntos e não tinham relações sexuais durante este tempo. Esta parte era rigorosamente guardada pelo casal e a moça tinha que provar que era virgem quando casa-se oficialmente no fim do desposado (Deuteronômio 22.13-21). No dia do casamento oficial, os convidados chegavam às Bodas ...

A Primeira Virtude que uma Mulher Deve Procurar em um Homem

Essa é a primeira e principal qualidade que uma mulher deve procurar em um homem: a imagem de Cristo . Ela irá desencadear todas as outras qualidades que uma mulher de verdade procura.  Existem mulheres que estão à procura de um homem porque a sociedade e até a mesmo a família estão lhe pressionando. Existem delas que estão à procura de um homem para não ficarem só, "ficar pra titia". Existem delas que estão à procura de um homem porque, desprovidas de sabedoria bíblica e contaminada pela cultura, querem exercer algum tipo de domínio e ser cabeça de uma família. Existem delas que estão à procura de um homem para superar traumas passados ou satisfazer suas carências emocionais. Existem delas que estão à procura de um homem porque são atraídas apenas pela beleza ou querem se sentir "seguras" por causa da riqueza dele. É claro que isso acontece, porque a cultura promove isso. A cultura nega a Bíblia e rejeita seus princípios , empurrando assim a mulher para esse tipo d...